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  • Ana Claudia

Dr. Lucas Oliveira: A Calmaria na Turbulência

13° Promotor de Justiça de Bauru fala sobre a importância da família acolhedora



Em conversa com o promotor de justiça de Bauru, o Dr. Lucas P. Oliveira nos contou algumas das importantes características do papel da família acolhedora. Ele contou que no Brasil o serviço de acolhimento da criança e do adolescente em situações de vulnerabilidade foi por muito tempo somente serviços considerados institucionais, como orfanatos e abrigos. No ano de 2009, porém, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) criou o serviço de acolhimento familiar, passando a ser esse como regra, e somente quando não houver mais vagas, encaminhar para os serviços de acolhimento institucionais. Isto porque apesar da atenção e cuidado dos serviços institucionais, é preferível que a criança e o adolescente tenham a oportunidade de um convívio familiar.


Mãos unidas de uma família, dois adultos e uma criança. Imagem colorida.

Fonte: Site Pexels. Mãos unidas de uma família, dois adultos e uma criança. Imagem colorida.


CHEGADA DO SERVIÇO EM BAURU

Após a criação do serviço de família acolhedora em 2009, o promotor conta que fez os requerimentos necessários para que disponibilizasse o serviço para o município, e na sequência instigou que o município acatasse a possibilidade do serviço. Para isso algumas organizações precisam se inscrever para concorrer e ganhar como sendo responsáveis por tal, na época quem ganhou foi a FACOL sendo o primeiro serviço de família acolhedora da cidade de Bauru/SP. Ele conta ainda que hoje, ao todo, a cidade conta com 8 serviços institucionais e 2 de família acolhedora, e traz o questionamento "você pode se perguntar porque há mais opções de serviços institucionais se a via de regra e a preferência são as famílias acolhedoras? Isso acontece porque é difícil encontrar famílias dispostas para ser família acolhedora, a maior dificuldade é encontrar voluntários para serem essas famílias acolhedoras”. Considerando essa dificuldade de encontrar famílias dispostas a participarem desse serviço, os serviços institucionais precisam suprir a demanda assistencial, e portanto, ainda existem em maior número.



QUAL VOCÊ ACREDITA SER O MAIOR PAPEL DA FAMÍLIA ACOLHEDORA?


“O mais significativo, o mais importante, é o amor que ela dá para criança, é aquilo que a criança não recebeu dentro de casa (...) é o afeto, principalmente o que a criança na primeira infância não teve”.

Dr. Lucas comenta ainda que ao fazer as capacitações com essas famílias ele sentia e percebia que isso era algo que as famílias acolhedoras envolvidas queriam dar, o amor, a atenção e o afeto, aquilo que as aquelas crianças e/ou adolescente não tiveram a oportunidade de receber dentro de casa.


COMO SER FAMÍLIA ACOLHEDORA PODE IMPACTAR NO DESENVOLVIMENTO HUMANO E SOCIAL?


A família acolhedora tem como papel social, entre tantas características, “introduzir a criança e/ou adolescente que esteja sob sua responsabilidade no meio social, é por meio da família acolhedora que ela é introduzida na vida social e nos espaços públicos, no estatuto da criança e do adolescente consta que é também direito à convivência familiar, comunitária, a cultura, o esporte e o lazer”, como escolas, teatros, festas de aniversário, espaços religiosos entre outros. A Família acolhedora tem o exercício, a fruição de proporcionar todos os direitos fundamentais que ela tem.

Dr. Lucas acredita ainda ter duas pontos de impacto, um externo, ou seja para com a sociedade, e outro interno, nesse caso no convívio e desenvolvimento das próprias pessoas que se disponibilizaram a ser família acolhedora, ele compreende:


“Esse impacto é fundamental, ele é muito importante. Embora eu fale de fora por não ser uma família acolhedora, imagino o quão gratificante seja ofertar essa afetividade que a criança não teve, esse engrandecimento pessoal, isso eu ouço inclusive em relatos de famílias acolhedoras. O engrandecimento da família nas experiências que eles vivenciam. Agora pensando numa perspectiva externa, e social, é o exemplo, é ser um estímulo, é ser uma mola propulsora, é mostrar para outros opções de como posso ajudar o próximo, e a partir disso quem sabe também se auto ajudar. Pra tentar convencer o outro, é mostrando o caminho que alguém já viveu, e assim reconstituir”.


O Promotor comentou ainda sobre a oportunidade de vivência que é poder ser família acolhedora, em que você pode além de estar fazendo o bem no capítulo da história de alguém, está se permitindo também ter essa experiência de momento familiar, ele pontua “vai vivenciar capítulos na vida dela de família, sem a obrigação de ser para sempre, não é uma responsabilidade pro resto da vida. Na família acolhedora você vai vivenciar, ou re- vivenciar esses momentos de família, durante o período que a criança fica na família acolhedora”. Comenta ainda sobre o sentimento e postura de “desprendimento” que é necessário para cumprir sua missão enquanto família acolhedora, em que possam cumprir sua jornada, dar o amor, atenção e afetividade por durante um tempo determinado e depois ir para a próxima jornada. Explica ainda que por relatos, as famílias comentam “é difícil entregar a criança, a gente sofre e chora muito, mas ao mesmo tempo ficamos felizes e sabemos que nossa missão ali foi cumprida”.


O QUE ACREDITA SER A MAIOR IMPORTÂNCIA


Para Dr. Lucas, “A maior importância, no meu modo de ver, é proporcionar um ambiente adequado enquanto o poder público decide para onde ela vai. A família vai proporcionar um ambiente seguro, acolhedor, de calmaria naquele momento que é de turbulência na vida daquela criança e do adolescente. O ambiente familiar, olha a redundância, mas também a importância, porque a próxima opção é institucional. É diferente estar em um ambiente, em uma rotina familiar; É inegável que o afeto se faz mais presente com maior intensidade num ambiente familiar. Nesse sentido, a família acolhedora exerce um papel fundamental”.


CONHEÇA O SERVIÇO:


A família passa por uma capacitação e ficará com a criança e/ou adolescente por tempo indeterminado sob sua tutela legal até que o poder público encontre uma solução definitiva para o indivíduo acolhido, as opções de solução são: 1º voltar para a família de origem (para isso, essa família precisa durante o tempo de acolhimento ter também se desenvolvido e melhorado, tendo assim condições de receber novamente seu filho (a) em seu lar); 2º retorno para família extensa ( que são parente próximos da família de origem) que tenham registros de convivência e/ou afetividade e que tenha interesse e condições de assumir a obrigação de cuidar do acolhido ou então a 3º opção, que é encaminhar para a adoção.





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